Manchester 2.0

we are love addicts-manchester 54Manchester tem tanto para dar. É um tesouro bem guardado e nós queremos continuar a partilhar o que vimos com vocês. Preparados?

Começámos o dia com um pequeno-almoço de hotel bem recheado e doce.
Não vamos partilhá-lo hoje porque o hotel merece um post só para si, pois tem tanta história e detalhe que merece.

Pusemo-nos a caminho da The John Rylands Library mas algo se passava na cidade. Havia um silêncio profundo nas ruas e todos pareciam caminhar para o mesmo destino.

Começamos-nos a aproximar da St Peter’s Square e os lojistas encontravam-se todos à porta das suas lojas, dos restaurantes, hóteis.

we are love addicts-manchester Jwe are love addicts-manchester 58we are love addicts-manchester Kwe are love addicts-manchester 62

Era uma cerimónia celebrativa do Remembrance Day ou Poppy Day (Dia das Papoilas). O Remembrance Day é comemorado pelos países da Commonwealth, todos os anos, no mesmo dia, desde a primeira guerra mundial e visa celebrar e eternizar todos aqueles que deram as suas vidas pela nação. É difícil pôr por palavras o sentimento que se sentia. O silência era ensurdecedor. Esperava-se pelas 11 horas, onde um canhão disparou 2 vezes em honra de todas as vítimas. O primeiro disparo foi arrebatador. Foi um impacto no corpo tão forte que não dá para explicar. E o silêncio mantinha-se. As pessoas à minha volta choravam. Todos envergavam papoilas nas lapelas, os veteranos exibiam as suas fardas carregadas de medalhas com orgulho. Ouvia-se chorar. Nada mais. Passados 2 minutos outro disparo. Consegui eternizar parte do momento em fotografias. Os militares que protagonizavam a cena choravam. E nós não conseguimos não nos arrepiar com toda a situação.

we are love addicts-manchester Lwe are love addicts-manchester 64

we are love addicts-manchester 68we are love addicts-manchester 69

Às vezes questionamos o amor cego à pátria, questionamos o porquê de tanto medo que países como o Reino Unido têm em perder a sua identidade e, ao assistir a momentos como este, desculpamos um bocadinho. São anos e anos de história a defender o seu país e a tentar a paz no mundo. Eu sempre admirei o amor que eles têm à bandeira. É algo que parece que nasce com eles. E é algo que nós não temos aqui em Portugal. Claro que gostamos todos do nosso país mas, a maioria, só se interessa quando é futebol ou quando o Salvador vence a Eurovisão.

Acabou a cerimónia e a multidão dispersou, cada um seguiu o seu caminho e nós fizemos o mesmo.

we are love addicts-manchester 72we are love addicts-manchester 73we are love addicts-manchester O

A biblioteca só abria às 13h, por isso, mudança de planos. Vamos até ao Northern Quarter, o bairro mais cool e com as lojas mais incríveis da cidade.

Uma autêntica perdição! Tínhamos deixado os nossos euros todos em Manchester se não nos controlássemos. A perdição foi estacionário e vinis. Sabemos que estamos no centro do Northern Quarter quando loja sim, loja não há uma loja de vinis. Entrámos logo na primeira – a Vinyl Exchange. E oh-minha-nossa-senhora! Que loucura! Tantas raridades num sítio só. Aqui perdemos a cabeça e trouxemos para a nossa casa alguns dos nosso álbuns preferidos em vinil e que já não se encontram à venda.

we are love addicts-manchester 78we are love addicts-manchester 79we are love addicts-manchester 85we are love addicts-manchester Q

Fizemos uma pausa na loucura das lojas e decidimos ir almoçar. Caminhámos até ao Mackie Mayor, um dos mercados que mais queria visitar – abriu em Outubro depois de estar fechado desde 1972. Era um antigo mercado de carne e foi inaugurado em 1857, em plena era industrial. E é O sítio para almoçar. Em estilo Time Out Market mas sem a parte insana, em bom, em sofisticado e com peso e medida. No piso 0 estão os restaurantes, divididos por tipos, um de cada – peixe, carne, pizzas, asiático, pastelaria, bar de vinhos e bar de cerveja. No centro várias mesas de madeira corridas, que continuam no piso 1. Ao longo do varandim há também espaço para sentar e ter uma vista privilegiada do que se passa cá em baixo.

we are love addicts-manchester 83we are love addicts-manchester Rwe are love addicts-manchester 80

Cada mesa tem um número. Escolhemos uma mesa, fazemos o pedido, pagamos e depois uma equipa do mercado vem-nos trazer os pratos à mesa assim que estiverem prontos. Ou seja, não há filas intermináveis nas bancas, as pessoas regressam às suas mesas para conviver e a comida vai aparecendo. É absolutamente divinal! As bebidas são a única coisa que não levam às mesas. O mercado estava a abarrotar e estivemos cerca de 20 minutos à espera. Querem saber mais coisas incríveis sobre este espaço? Há um sítio para as crianças brincarem e há cães por todo o lado, deitados ao lado das suas famílias. É de derreter o coração a qualquer um.

we are love addicts-manchester 87we are love addicts-manchester 90we are love addicts-manchester 92we are love addicts-manchester 95

Depois de almoço, o que fizemos? Mais lojas. Entrámos em várias loja, muitas mesmo! Lojas de estacionário pareciam cogumelos. Entrávamos, eu começava a agarrar em tudo o que queria trazer, olhava para a conta final e fugia da loja, deixando tudo para trás. Era uma autêntica perdição.

Algumas lojas que têm que marcar no vosso mapa se planeiam ir a Manchester – Vinyl Exchange, Piccadilly Records, Magma, Thunder Egg, Forbidden Planet, Oliver Bonas e Fred Aldous.

we are love addicts-manchester Nwe are love addicts-manchester Uwe are love addicts-manchester 108we are love addicts-manchester 105we are love addicts-manchester 103we are love addicts-manchester 104

Esta última – Fred Aldous – é um verdadeiro sonho para qualquer pessoa no mundo das artes. Quem me dera ter tido uma loja destas nos meus anos de faculdade. E a cereja no topo do bolo? Uma photo booth no interior da loja que ainda revelava as fotografias em analógico.

Daqui seguimos em passo rápido para a Manchester Art Gallery. Todos os museus são gratuitos e todos fecham às 17h. A oferta de cultura na cidade é de outro mundo. O museu tem uma colecção que mostra a evolução da pintura, várias épocas e estilos divididos por salas. O mais interessante foi, sem dúvida, 2 filmes do Hetain Patel que estão a passar em loop numa das salas – Don’t look at the finger e The Jump fazem-nos ficar vidrados ao ecrã.

Aproveitámos o fecho do museu para ir até ao hotel recarregar baterias, não sem antes passarmos num dos mercados de natal e comer umas mini-panquecas belgas.

we are love addicts-manchester Vwe are love addicts-manchester 97we are love addicts-manchester Swe are love addicts-manchester Twe are love addicts-manchester 100

Não podíamos sair de Manchester sem ir ao restaurante italiano do Jamie Oliver – Jamie’s Italian. Primeiro porque o hotel onde o restaurante está inserido é inacreditável, segundo porque comida italiana foi feita para nós. Fizemos reserva online através do site do próprio restaurante – achei a cena mais incrível, fácil e eficaz. À hora marcada lá fomos nós. O hotel Gotham é uma quase recriação perfeita do que seria um hotel na cidade do Batman. É americano, imponente e de perder de vista. O restaurante ocupa o lugar do que foi em tempos um banco. Assim que entramos parece que fomos transportados para um filme dos anos 50, no meio de Nova Iorque. O sítio levou muito pouca remodelação – o balcão de atendimento passou a ser o balcão do bar, os candeeiros de tecto são os de sempre, as janelas, as paredes e o chão também. Entraram apenas as mesas e cadeiras e assim nasceu um restaurante romântico, íntimo, que convida a ficar longas horas à conversa com um bom vinho. A luz era tão pouca que foi impossível tirar uma fotografia minimamente decente. Mas também não me preocupei muito. A comida é soberba e o vinho da quinta italiana do Jamie também. Por isso, podem beber à vontade.

we are love addicts-manchester Xwe are love addicts-manchester 118

Este dia foi o mais preenchido, daí ter resultado num post tão extenso.

Mas é com carinho que partilhamos as coisas boas e bonitas que vimos.

 

Fiquem por aí, que há mais a chegar.

Até já,
Joana & Leone